terça-feira, 20 de março de 2012
Programa de computador supera QI humano pela primeira vez
O que significa inteligência?
No século 19, ser inteligente significava que você tinha uma boa capacidade
de memorizar coisas. No século 20, ser inteligente passou a significar tirar notas altas em
teste de QI (quociente de inteligência), cuja média na sociedade era 100 da última vez que foi aferida.
Testes de QI, ou testes de inteligência, são baseados em dois tipos de
problemas: matrizes progressivas, que testam a capacidade para ver padrões em
desenhos, e sequências numéricas, que testam a capacidade para ver padrões em
números.
Os melhores programas matemáticos construídos até hoje só muito raramente
atingem um QI igual a 100 - ou seja, ficam abaixo da média humana. Isso agora foi superado por um programa criado por Claes Strannegard e seus
colegas da Universidade de Gotemburgo.
Segundo ele, já é hora de tentar criar programas de computador mais espertos,
eventualmente dotadas da chamada inteligência artificial: "Nós estamos tentando
criar programas que possam descobrir os mesmos tipos de padrões que os humanos
podem ver."
Modelo psicológico
A construção de um programa de computador realmente inteligente foi possível
com a integração de um modelo psicológico do comportamento humano. Por exemplo, imagine a questão "1, 2, ?. O que vem a seguir?". A maioria das pessoas vai responder 3. Mas um programa matemático ficará em
dúvida se os dois números não seriam parte de uma sequência "1, 2, 1, 2", ou "1,
2, 4, 6".
Do ponto de vista matemático, nenhuma das respostas é melhor ou mais correta
do que a outra. É por isto que os programas matemáticos falham. Ao integrar o modelo psicológico, o novo programa passou a se emular um pouco
melhor a forma humana de resolver problemas. Isto o torna capaz de sair-se muito bem com perguntas abertas, em que não há
alternativas de resposta, ou múltipla escolha. Resultado: um programa de computador com QI 150.
Esta combinação de matemática e psicologia tem um enorme potencial de
aplicações práticas. A era da informação está gerando um volume de informações muito acima do que
o homem consegue lidar - um fenômeno apelidado de "dilúvio de dados". Isto porque é difícil encontrar, nessa enxurrada global de números, padrões
que possam levar a conclusões úteis. É o caso dos dados financeiros, da previsão do tempo, da observação
astronômica, da busca por civilizações extraterrestres, da visão artificial para
robôs, do comportamento de moléculas e bactérias, enfim, de um sem-número de
dados científicos. Como não há ainda uma alternativa à observação humana desses dados, os
cientistas têm lançado diversas iniciativas, conhecidas como ciência-cidadã, em
que o público é convidado a se voluntariar para procurar padrões nos dados
científicos - e fazer descobertas. A nova abordagem desenvolvida pelos cientistas suecos pode finalmente
representar o pássaro que traz um ramo pós-dilúvio no bico.
Mas a equipe parece mais interessada em outras aplicações, como "projetar
programas de computador para pessoas que queiram praticar suas habilidades na
solução de problemas," afirmam.
fonte: www.inovacaotecnologica.com.br



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